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Dakar e Aventuras
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Ontem foi um dia cheio. Saimos as 9:00 hrs de S. Pedro do Atacama rumo a Tilcara na Argentina e conseguimos passar pela aduana chilena sem muito atrazo. Seguimos pelo Passo de Jama e começamos a encontrar todos os competidores do Dakar vindo em sentido contrario. Paramos a 4200 m com um frio de 2 graus C e logo parou um competidor motociclista australiano pedindo uma bebida quente para tomar, pois estava muito frio. Ele estava vestindo roupa para o calor do deserto e provavelmente pegou temperaturas abaixo de zero graus a 4.800m. Ele foi muito simpático e nos disse que a prova do dia era um deslocamento inicial de 500 km e depois um especial de aproximadamente 200 km de velocidade no deserto de Atacama. Logo depois parou um motociclista frances que pediu para o Mathias tirar uma foto dele com sua propria maquina fotográfica e seguiu adiante. Continuamos subindo rumo a fronteira e cruzamos com todo o tipo de competidores, inclusive com um carro e uma moto brasileiros patrocinados pela Lubrax.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />
Chegamos a aduana argentina que estava cheia. Fizeram uma aduana especial para os competidores do Dakar, e o posto de gasolina da YPF que fica junto a fronteira estava fechado para todos exceto o pessoal do Dakar. Decidimos seguir adiante pois acreditamos que iríamos conseguir gasolina em Susques, a 160 km.
Quando estávamos chegando a “Pastos Chicos”, um hotel, restaurante e posto distante uns 4 km de Susques, os problemas começaram. A Silvana sentiu o pneu trazeiro bambolear e pensando que o pneu tinha furado, parou no acostamento. Eu vinha logo atrás e vi a roda traseira bambolear também e suspeitei de rolamento.
Quando desmontamos a roda traseira notamos que 2 rolamentos estavam quebrados. O Mathias foi pedir ajuda para o pessoal do Dakar, e um competidor sérvio muito simpático verificou a roda e confirmou o problema do rolamento mas disse que não tinha nenhum rolamento. Confirmou que não seria possível continuar a rodar com os rolamentos quebrados. Tentamos parar os caminhão de suporte da BMW, mas conseguimos apenas acenos…
Liguei então para a Caltabiano em SP, uma vez que o telefone que eu tinha da BMW Mercosul somente dava ocupado. O pessoal da assistência técnica me deu um 0800, que obviamente somente funciona ligando-se do Brasil. Telefonei novamente e conversei com o vendedor Rossi e finalmente consegui um numero que funcionou. Liguei e consegui que mandassem um resgate, que chegou apenas no dia seguinte …
Conseguimos uma carona para a Silvana e para a Estela, que foram para o Hotel em Tilcara. Ficamos aguardando o resgate até o por do sol, e decidimos ir para o Hotel, pois obviamente os prazos prometidos não seriam cumpridos. Quando estávamos saindo chegou um caminhão de suporte da BMW Motorrad dos americanos. Eles foram muito simpáticos, mas não tinham qualquer peça de reposição. Saimos já a noite para rodarmos 160 km até Tilcara. No começo foi tudo bem, mas como estava trovejando decidimos por as capas de chuva. Quando estávamos parados no acostamento duas outras motos que vinham no sentido contrario pararam para verificar se precisávamos de ajuda, e nos disseram que tinham pegado granizo na estrada (nos mostraram uma foto da estrada cheia de granizo) e disseram que estava muito frio. Ainda estávamos a mais de 4.000 m de altitude e o frio aumentava. Seguimos adiante e não encontramos granizo, mas em compensação pegamos uma neblina muito forte. Logo chegou uma caravana de carros atrás de nós, que decidiram não nos ultrapassar. E lá fomos nós, tomando muito cuidado com as curvas que estavam cheias de pedras por causa da chuva. Conseguimos chegar somente as 23:30 em Tilcara.